rio nilo

Rio Nilo

Nilo
Trajecto do rio Nilo

Trajecto do rio Nilo

Comprimento: 6650 km
Posição: 2
Nascente: floresta Nyungwe, Ruanda (?)
Débito médio: 2000 m3
Foz: Mar Mediterrâneo
Área da bacia: 3 349 000 km2
Delta: Delta do Nilo
País(es): Uganda
Tanzânia
Ruanda
 Quênia
República Democrática do Congo
Burundi
Sudão
 Etiópia
 Egito
Montagem de imagens de satélite do Nilo (NASA)

Montagem de imagens de satélite do Nilo (NASA)

O rio Nilo é um grande rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do Equador e desagua no Mar Mediterrâneo.

A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de 3 349 000 km2 abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egipto. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6650 km.

É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco (Bahr-el-Abiad), o Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) e o rio Atbara. O Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.

Muitos geógrafos deixaram de o considerar como o maior rio do mundo, perdendo o posto para o rio Amazonas, com cerca de 6800 km de extensão.

Índice

[esconder]

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 Etimologia

Para alguns autores a palavra Nilo pode estar relacionada com o raiz semítica “nahal”, que significa vale. Em árabe e hebraico, duas línguas semíticas, rio diz-se nahrun e nehar/neharot respectivamente. Contudo, duas outras línguas semíticas, o amárico e o Ge’ez usam palavras pouco semelhantes a “nahal” para se referirem a um rio (felege e wonz).

Independente das incertezas, a palavra Nilo deriva do latim Nilus que por sua vez deriva do grego Neilos.

Os antigos Egípcios chamavam ao Nilo Aur ou Ar o que significa “negro”, numa alusão à terra negra trazida pelo rio por altura das cheias.

Bacia

Tradicionalmente considera-se que o rio Nilo nasce no Lago Vitória. Contudo, o próprio Lago Vitória tem como principal tributário o rio Kagera, que é por causa disso considerado como fonte mais remota do Nilo.

O rio Kagera nasce no Burundi, a norte do Lago Tanganica, na confluência do rio Niavarongo e Ruvuvu.

 O Nilo Vitória

O Nilo propriamente dito começa em Jinja (Uganda), na borda norte do Lago Vitória, correndo para norte através das quedas Ripon (que deixaram de existir desde a construção da barragem de Owen Falls em 1954), passando pelo Lago Kioga e pelo Lago Alberto. O ramo entre estes dois rioz é conhecido como o Nilo Vitória.

 O Nilo Alberto

A partir do Lago Alberto e até Númula, no Sudão, o Nilo recebe a designação do Nilo Alberto.

 O Al-Jabal

Em Númula e até se encontrar com o rio Sobat (um pouco acima de Malakal) o Nilo é conhecido como o Bahr al-Jabal, o Rio Montanhoso. Torna-se então mais sinuoso, recebendo junto ao Lago No o rio Al-Ghazal (Gazela) como afluente. Porém, antes disso, o Nilo passou por entre um pântano, o Sudd.

O Nilo Branco e o Nilo Azul

Entre Malakal e Cartum, o Nilo é conhecido como o Nilo Branco. Em Cartum o Nilo Branco recebe as águas do Nilo Azul, oriundo dos altos planaltos da Etiópia.

A 322 quilómetros a norte de Cartum, o Nilo recebe o seu último grande afluente, o rio Atbara, oriundo igualmente do planalto abissínio. O rio avança então pelos penhascos da região da Núbia até chegar a Assuão no Egipto. A partir de Assuão o vale alarga até se atingir o Delta, que se inicia um pouco a norte da cidade do Cairo.

Delta do Nilo

O Delta do Nilo é uma região plana com um forma triangular, apresentando 160 km de comprimento e 250 km de largura. No Delta o Nilo bifurca-se em dois canais que levam as suas águas para o Mediterrâneo: a oeste, o canal de Roseta, e, a este, o de Damieta.

Cataratas do Nilo

O Nilo possui várias cataratas, mas na Antiguidade distinguiam-se seis cataratas clássicas do Nilo que estavam situadas entre Assuão e Cartum.

A primeira catarata situa-se em Assuão, constituindo hoje em dia a única catarata do Nilo em território egípcio. Esta catarata era na Antiguidade a fronteira sul do Antigo Egipto, pois a partir dali começava a Núbia.

A segunda catarata, perto de Uadi Halfa, encontra-se hoje submergida. O faraó Senuseret III ordenou a construção nas suas redondezas das fortalezas de Semna e Kumma.

 Barragens do Nilo

Ao longo do curso do Nilo existem algumas barragens, sendo uma das mais importantes a Grande Barragem de Assuão.

Entre 1899 e 1902 construiu-se, com recurso a capitais ingleses, a primeira barragem de Assuão, que foi alargada em 1911 e 1934.

Entre 1959 e 1970 construiu-se a Barragem de Assuã, a cerca de oito quilómetros da primeira barragem, graças ao apoio fornecido pela União Soviética.

 Estudo e exploração do Nilo

Margem esquerda (ocidental) do rio Nilo, entre Edfu e Kom Ombo

Margem esquerda (ocidental) do rio Nilo, entre Edfu e Kom Ombo

Julga-se que os Antigos Egípcios conheciam o Nilo até ao ponto de confluência do Nilo Branco com o Nilo Azul, em Cartum. Embora não tenham explorado o Nilo Branco, acredita-se que conheceriam o Nilo Azul até à sua nascente no Lago Tana.

Em meados do século V a.C., o historiador grego Heródoto realizou uma viagem ao Egipto, tendo percorrido o rio até Assuão, a fronteira tradicional do Antigo Egipto.

No século II a.C. Eratóstenes desenhou um mapa que mostrava de forma bastante precisa o percurso do Nilo até Cartum, no qual também se mostravam dois afluentes, o Atbara e o Nilo Azul. Eratóstenes foi o primeiro a postular que a nascente do Nilo estaria em lagos equatoriais.

Em 25 a.C. o geógrafo Estrabão e Aelius Gallus (governador do Egipto romano) exploraram o Egipto até Assuão. Estrabão descreveu também o rio no Livro 17 da sua Geografia, aludindo às teorias de Eratóstenes.

Em 66 d.C., na época do imperador Nero, o exército romano tentou encontrar a nascente do rio. Porém, e segundo Séneca, o pântano do Sudd, impediu o exército de avançar. Ainda no século I um mercador grego chamado Diógenes relatou ao geógrafo Marino de Tiro que durante uma viagem pela costa oriental africana decidiu penetrar pelo continente, tendo ao fim de vinte e cinco dias chegado junto a dois grandes lagos e a uma cadeia de montanhas cobertas de neve de onde o Nilo nasceria. No século II Ptolomeu utilizou esta informação para fazer um mapa onde se mostrava o Nilo Branco a nascer desses lagos, que recebiam as suas águas das Montanhas da Lua (Lunae Montes). É provável que estas montanhas sejam os montes Ruvenzori, situados entre o Uganda e o Zaire.

No século XII, Muhammad Al-Idrisi atribui como nascente do rio Nilo e do rio Níger um lago. No século XVI conhece-se uma expedição árabe que procurou atingir as nascentes do Nilo pelo Sahara e Sudão.

Em 1618 o jesuíta Pero Pais (ou Pedro Páez) foi o primeiro europeu a localizar as nascentes do Nilo Azul no Lago Tana, tendo falecido na Etiópia vítima de malária. Em 1770 o escocês James Bruce realizou uma viagem de exploração do Nilo Azul no Lago Tana, ficando com a fama de descobridor da sua nascente, embora como exposto o jesuíta ali chegou primeiro.

Cais da cidade de Kom Ombo, na margem direita do rio Nilo

Cais da cidade de Kom Ombo, na margem direita do rio Nilo

A partir do ano de 1821 o vice-rei do Egipto Mehmet Ali e os seus filhos seriam responsáveis por várias viagens de exploração do Nilo.

Em Dezembro de 1856, Richard Francis Burton convidou John Hanning Speke para participar numa expedição aos grandes lagos da África Oriental. Em resultado da expedição Burton e Speke tornaram-se os primeiros europeus a chegar ao Lago Tanganica em Fevereiro de 1858. Na viagem de regresso Speke viajou em sentido norte e descobriu o Lago Vitória (que recebeu este nome em honra da rainha Vitória) e que considerou como nascente do Nilo.

Em 1860, sob os auspícios da Royal Geographical Society, Speke realiza uma nova expedição à região acompanhado por James Grant, da qual resultaria a descoberta do rio Kagera e do local de saída do Nilo a partir do Lago Vitória (as Quedas de Ripon, 1862).

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