febre amarela

Febre amarela

CID10 A95.
CID9 060
DiseasesDB 14203

Como ler uma caixa taxonómica

Virus da Febre Amarela

microscopia eletronia da transmissão

microscopia eletronia da transmissão
Classificação científica
Domínio: Biota
Super-reino: Acytota
Reino: Vírus
Família: Flaviviridae
Género: Flavivirus
Espécie: Virus da Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por um flavivirus e ocorre na América Central, na América do Sul e na África. No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas urbanas, silvestres e rurais. Ou seja, o indivíduo entra em regiões onde existam os mosquitos que picam uma pessoa infectada e em seguida picam outra que ainda não teve a doença, portanto não adquiriu defesas naturais.

Índice

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 Virus da Febre Amarela

Pertence à família dos flavivirus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado directamente como um RNA para a síntese proteica). Produz cerca de 10 proteínas, sendo 7 constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bílipidico. Multiplica-se no citoplasma e os virions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são depois exocitados. Tem cerca de 50 nanómetros de diâmetro.

Muitos danos são causados pelos complexos de anticorpos produzidos. O grande numero de vírus pode produzir massas de anticorpos ligados a inúmeros virus e uns aos outros que danificam o endotélio dos vasos, levando a hemorragias.

Os virus infectam principalmente os macrófagos.

 Aedes aegypti

Fêmea de Aedes aegypti alimentando-se de sangue humano

Fêmea de Aedes aegypti alimentando-se de sangue humano

O Aedes aegypti transmite o vírus da febre amarela de 9 a 12 dias após ter picado uma pessoa infectada. Em áreas de fronteiras agrícolas, existe a possibilidade de adaptação do transmissor silvestre para o novo habitat.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus proliferam-se nas casas, apartamentos, etc. A fêmea do mosquito põe seus ovos em qualquer recipiente que contenha de água limpa, caixas d’água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas. As bromélias, que acumulam água na parte central, chamada de aquário, são os principais criadouros nas áreas urbanas. Os ovos ficam aderidos e sobrevivem mesmo que o recipiente fique seco. Apenas a substituição da água, mesmo feita com freqüência, é ineficiente. Dos ovos surgem as larvas, que depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus transmitem também a dengue. Ambos picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que tem atividade noturna.

 Epidemiologia

Área de endêmica da febre amarela na África (2005)

Existe endemicamente em África, Ásia tropical, Caraíbas e América do Sul.

A enfermidade não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. Em área silvestre, a transmissão da febre amarela é feita por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus em geral. Por ser virótica, pode ser transmitida por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue. A infecção pode ocorrer também através de mosquitos que picam macacos e em seguida humanos. Existe também transmissão transovariana no próprio mosquito.

A infecção humana ocorre no indivíduo que entra em áreas de cerrado ou de florestas e é picado pelo mosquito contaminado. A propagação para áreas urbanas ocorre porque a pessoa contaminada é fonte de infecção para o mosquito desde imediatamente picada, portanto antes de surgirem os sintomas, até o quinto dia da infecção (reforçando, sem sintomas), esta retorna para a cidade e serve como fonte de infecção para o Aëdes aegypti, que então pode iniciar o ciclo de transmissão da febre amarela em área urbana.

Outro reservatório da infecção são os macacos.

 Zonas endêmicas no Brasil

Área de endêmica da febre amarela na América do Sul (2005)

As localidades infestadas pelo Aëdes aegypti, cerca de 3600 municípios brasileiros, têm risco potencial da febre amarela. Em Boa Vista no Estado de Roraima e em Cuiabá, no estado do Mato Grosso existe focos endêmicos nas áreas urbanas.

A maior quantidade de casos de transmissão da febre amarela no Brasil, ocorre em regiões de cerrado. Porém, em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão das infecções. Estas principalmente ocasionadas pelos mosquitos do gênero Haemagogus, e pela manutenção do ciclo dos vírus através da infecção de macacos e da transmissão transovariana no próprio mosquito.

Onde existe a possibilidade de febre amarela, existe para malária e também para a dengue e outros.

 Progressão e Sintomas

O período de incubação é de três a sete dias após a picada. Dissemina-se pelo sangue (virémia). Os sintomas iniciais são inespecíficos como febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares (principalmente no abdômem). Nauseas, vômitos e diarreia também surgem por vezes. Alguns individuos são assimptomáticos.

Mais tarde e após descida da febre, em 15% dos infectados, podem surgir sintomas mais graves, como novamente febre alta, diarreia de mau cheiro, convulsões e delírio, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos e enfartes em vários orgãos, que são potencialmente mortais. As hemorragias manifestam-se como sangramento do nariz e gengivas e equimoses (manchas azuis ou verdes de sangue coagulado na pele). Ocorre frequentemente também hepatite e por vezes choque mortal devido às hemorragias abundantes para cavidades internas do corpo. Há ainda hepatite grave com degeneração aguda do figado, provocando aumento da bilirrubina sanguinea e surgimento de icterícia (cor amarelada da pele, visível particularmente na conjunctiva, a parte branca dos olhos, e que é indicativa de problemas hepáticos). A cor amarelada que produz em casos avançados deu-lhe obviamente o nome. Podem ocorrer ainda hemorragias gastrointestinais que comumente se manifestam como evacuação de fezes negras (melena) e vómito negro de sangue digerido (ematemese). A insuficiência renal com anúria (défice da produção de urina) e a insuficiência hepática são complicações não raras.

A mortalidade da febre amarela em epidemias de novas estirpes de virus pode subir até aos 50%, mas na maioria dos casos ocasionais é muito menor, apenas 5%.

 Diagnóstico

O diagnóstico é PCR, inoculação de soro sanguineo em culturas celulares; ou pela serologia.

Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos. Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação. A confirmação do diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de malária. Da mesma forma que a febre amarela, o dengue e a malária também podem se tornar graves quando o indivíduo aparenta melhora.

Tratamento

A febre amarela é tratada sintomaticamente, ou seja, são administrados líquidos e transfusões de sangue ou apenas plaquetas caso sejam necessárias. A diálise poderá ser necessária caso haja insuficiência renal.

Os AINE como o ácido acetilsalicílico (aspirina) são desaconselhados, porque aumentam o risco de hemorragias, já que têm actividade antiplaquetar.

 Prevenção

Existe uma vacina de virus atenuado, aconselhada a todos que visitam zonas tropicais. Outra forma de prevenção é a erradicação dos locais de reprodução dos mosquitos transmissores e uso de redes ou sprays protectores.

  • Substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor.
  • Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar plantas.
  • Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.
  • Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.
  • Manter sempre tapadas as caixas de água, cisternas, barris e filtros.
  • Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou latões com tampa.
  • Tomar a vacina contra a doença antes de viajar a locais que apresentem risco de contaminação.

 História

A febre amarela afectou os espanhóis quando se estabeleceram nas Caraíbas, como em Cuba e na ilha de Santo Domingo e noutras regiões da América, matando muitos. Colombo terá sido obrigado a mudar a sua capital na ilha de Santo Domingo porque o local inicial tinha grande número de mosquitos transmissores que infectaram com a doença e mataram uma proporção considerável dos colonos.

Durante a revolução dos escravos na então colónia francesa de Santo Domingo, nos primeiros anos do século XIX, Napoleão Bonaparte enviou 40.000 tropas para assegurar a posse da colónia à França. As tropas no entanto foram dizimadas por uma epidemia de febre amarela e a revolução triunfou, fundando o Haiti. A perda de tantos soldados fez Napoleão desistir dos seus sonhos coloniais na América do Norte.

A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá, pelos franceses no século XIX, fracassaram devido às epidemias de febre amarela. A segunda tentantiva, pelos EUA, só resultou graças às novas técnicas de erradicação de mosquitos e à vacina recentemente desenvolvida.

A referência à febre amarela no Brasil data de 1685 com a ocorrência de surto em Olinda, Recife e interior de Pernambuco. Um ano depois atinge a população de Salvador, segundo o historiador Odair Franco. A febre amarela foi reintroduzida em 1849, (primeira grande epidemia ocorrida na capital do Império, Rio de Janeiro) – História da febre amarela no Brasil por Jaime Larry Benchimol, Casa de Oswaldo Cruz, fevereiro de 1994, quando um navio americano chegou a Salvador, procedente de New Orleans e Havana, infectando os portos e se espalhando por todo o litoral brasileiro. Em 1895, um navio italiano (Lombardia) é acometido de febre amarela ao visitar o Rio de Janeiro – onde quase não existia esgoto e a infra-estrutura sanitária era extremamente precária – desde o recolhimento do lixo ao abastecimento de água até o comércio de alimentos nas ruas, sem nenhuma condição de higiene e a população em geral vivia em cortiços: a entrada de um deles era decorada com cabeças de suíno, surgindo daí a expressão “cabeça de porco”. O Brasil “turístico” era, então, considerado perigoso por conta das enfermidades infecciosas. As agências de viagem na Europa operavam direto para Buenos Aires, sem escala, privando o Brasil do transporte marítimo e da exportação do café. Uma intrincada rede de acontecimentos afeta o país, a partir desse cenário: a cafeicultura era prejudicada – a mão-de-obra era emigrante e vulnerável à febre amarela; não havia como pagar a dívida externa – sobretudo contraída com bancos ingleses.

Uma grande epidemia de febre amarela matou mais de 30% da população da cidade brasileira de Campinas entre o final do século XIX e início do século XX.

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