Titanic

RMS Titanic


O “Titanic” em Belfast, 2 de Abril de 1912.
Carreira British Blue Ensign
Nacionalidade: Britânica
Donos: White Star Line
Construtores: Harland and Wolff, Belfast
Capitão: Edward John Smith
Porto de registro: Liverpool, Inglaterra
Inicio da Construção: 22 de Março de 1909
Lançado ao mar: 31 de Maio de 1911
Viagem Inaugural: 10 de Abril de 1912
Acidente: Chocou-se com um icebergue as 23:40 de 14 de Abril de 1912. Afundando completamente em 15 de Abril do mesmo ano, às 02:20; foi descoberto em 1985 por Robert Ballard.
Localização: 41° 43′ N 49° 56′ W
Características Gerais
Tonelagem: 46,328 tons
Comprimento: 269 metros
Altura: 54 metros
Largura: 28 metros
Potência: 24 pistores-duplos e 5 sulcos. 4 cilindros de expansão tripla, cada um com 12MW de potência para as hélices laterais. Uma turbina a vapor produzindo 13.5 MW para a hélice central.
Propulsão: 2 hélices laterais de bronze com 3 lâminas cada. Uma hélice central também de bronze com 4 lâminas.
Velocidade: 24 nós – (44km/h)
Número de Passageiros (Viagem Inaugural): 1912 – Total 2,228

  • Primeira-classe: 324
  • Segunda-classe: 285
  • Terceira-classe: 708
  • Tripulação: 891
    • Passageiros e tripulação que sobreviveram: 705.
    • Passageiros e tripulação que morreram: 1.523

O RMS Titanic[1] foi um navio transatlântico da Classe Olympic da British White Star Line construído em 1912 nos estaleiros da Harland and Wolff, na Irlanda. Tinha um comprimento de cerca de 269 metros (ou seja, quatro campos de futebol) por 28 metros de largura e uma altura de 54 metros, aproximada de um prédio de 11 andares. Saiu do Porto de Southampton, na Inglaterra, no dia 10 de Abril de 1912 com destino a Nova Iorque, transportando aproximadamente 2.223 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulação. Às 23h40 do dia 14, colidiu com um iceberg e afundou-se duas horas e meia depois. Hoje ele ainda é o acidente marítimo mais famoso do Século XX. Pertencia à mesma classe de navios do RMS Olympic e HMHS Britannic.

Índice

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 O Início

O ano era 1900 e Hans passava o comando da White Star Line para Tiago Santos, filho do fundador cujo maior sonho era levar a empresa ao título de maior companhia de navegação do mundo e para isso gastaria o que fosse necessário. A White Star Line era uma companhia nova no mercado do transporte de passageiros e não era, digamos, boa nesse ramo. Os seus navios eram de baixa qualidade e a maioria naufragava, coisa que não acontecia com os da Cunard Line, sua principal concorrente e possuidora do RMS Mauretânia e RMS Lusitânia, os navios mais rápidos durante 20 anos. Bruce Ismay, com o firme propósito de concorrer em igualdade com a Cunard, decide construir um trio de navios inigualáveis: O Olympic, o Titanic e o Britannic,antes batizado de Gigantic. Os três navios começaram a ser construídos nos estaleiros da Harland and Wolff, na Irlanda.

O Olympic foi o primeiro a ficar pronto, em 1911, visando luxo e comodidade, seguido pelo Titanic em 1912 e pelo Britannic em 1915. A White Star Line pretendia que estes navios fossem os melhores em luxo e exuberância da época e para isso estava disposta a abrir mão da Blue Ribbon, a tão cobiçada Fita Azul que era entregue ao navio mais rápido, pois a empresa alegava que o conforto de seus navios não seria agradável se fossem velozes demais. O Titanic foi terminado depois do Olympic e os dez meses que se seguiram serviram para instalação do maquinário e da decoração do interior. O Titanic possuía 16 compartimentos estanques com portas electromagnéticas que poderiam ser fechadas com o apertar de um botão na ponte de comando, isso o deu a fama de “Inafundável” [2]. Mas os tais compartimentos tinham aberturas no topo e serviam para ventilação. Essas aberturas fizeram com que a água sobrepusesse o compartimento alagado, inundando rápidamente o seguinte a medida que o navio inclinava.

Além destas falhas técnicas, o ferro usado na construção não era dos melhores, pois se fosse de boa qualidade o navio não teria se partido em dois e o choque com o iceberg não teria feito tantos estragos. Além de que não haviam botes suficientes, pois no projeto original deveriam ter 64 (suficiente para alojar comodamente as 3000 pessoas que o navio podia transportar mas o número foi reduzido a 16 botes e 4 botes desmontáveis. As leis inglesas permitiam que com o comprimento de 100 metros e 1500 pessoas e com mais de 10 mil toneladas entre passageiros e tripulação os navios levassem somente 16 botes. A White Star Line e a Cunard construíram navios com mais de 200 metros e cada um com capacidade para alojar até 3000 pessoas, significando que 16 botes não eram suficientes, mesmo assim o navio levava 20 botes.

Equipamento a Bordo

O Titanic, era, na sua época um luxuoso palácio flutuante. A ideia era fazer os ricos sentirem-se em casa. O navio, com capacidade para 3000 pessoas, tinha três classes: a primeira classe, destinada a ricos milionários; a segunda, destinada a classe média e a terceira, destinada a pessoas com poucos recursos, especialmete imigrantes. Descrição de cada classe:

O Titanic em construção.

O Titanic em construção.

  • Primeira Classe: Classe privilegiada, muito arejada, imaculadamente limpa e com extravagâncias para a época. Uma escadaria esculpida na madeira, com uma cúpula que iluminava o local e três elevadores. Havia a bordo uma sala de estar, onde as ricas senhoras podiam tomar o chá enquanto conversam, sala de fumantes, onde os milionários se gabavam das suas riquezas, diversos restaurantes como o café parisiense, destinado aos adolescentes; o restaurante a la carte, destinado aos mais velhos; varanda de descanso, foi criada especialmente para os mais velhos mas também podia servir para tomar o pequeno almoço. Havia uma sala de jantar decorada com pilares dourados e objectos de prata, também havia um local onde a orquestra tocava músicas suaves. Havia uma lindíssima biblioteca, uma das mais recheadas do Atlântico. As suites dos milionários eram verdadeiras mansões: sala de convívio, dois quartos, casa de banho, dois vestiários e deque privado. Havia novidades no Titanic: um barbeiro, algo raro de se ver, uma piscina, a primeira num transatlântico e um banho turco, que podia alojar comodamente 10 pessoas. Havia ainda um ginásio, com os equipamentos mais modernos e os passageiros podiam enviar mensagens para os seus amigos no continente usando o telégrafo Marconi sem fios, o mais potente da altura.
  • Segunda Classe: Classe média, prestigiada, arejada e limpa. Vivia no deque C e E, com quartos de luxo equivalente a suites nos hotéis mais luxuosos. Tinha uma sala de estar, de fumantes e de jantar, havia uma biblioteca e podiam andar nas áreas livres do deque B. Apesar das controvérsias, as instalações da segunda classe eram as mais luxuosas.
  • Terceira classe: pouco privilegiada, destinada principalmete aos imigrantes, era contida no interior do navio e ficava situada no deque E, F e G, com quartos pequenos e corredores apertados. As únicas áreas de convívio eram as salas de estar e jantar na popa cujo castelo era a área ao ar livre. Apesar de tudo, a quem diga que as acomodações da terceira classe eram melhores que as de primeira classe de alguns navios..

A viagem inaugural

O leme e as hélices do Titanic.

O leme e as hélices do Titanic.

O Titanic chegou ao porto de Southampton no dia seis de Abril. Representantes da alta sociedade americana que estava na Europa, decidiram embarcar no Titanic. Os passageiros mais ricos eram: John Jacob Astor IV, dono de uma vasta fortuna; Benjamin Guggenheim, herdeiro de uma fortuna, Sr. e Sra. Straus, donos do magazine Macy’s. Ambos morreram no acidente. Na manhã do dia 10 de Abril não pararam de chegar pessoas, todas impressionadas pelo tamanho do navio. O luxo e a abundância atraíram milionários e muitos ricos estavam de regresso a América. Ao meio-dia o Titanic zarpou do porto, puxado por rebocadores. Eis o primeiro acidente: a força do navio é tal que um navio solta-se do local e embate no cais, ferindo quatro pessoas. O que muitos passageiros não sabiam é que havia um incêndio numa das salas das caldeiras, mas é provável que tenha sido controlado, uma vez que o navio não pareceu ficar danificado quando alcançou o oceano.

Eis que surge a primeira missão para a experiente tripulação do navio: servir os passageiros. Os passageiros da primeira e segunda classe foram levados até aos seus camarotes por camareiros, já os da terceira tiveram de encontrar os seus sozinhos, possivelmente alguns só puderam encontra-los no momento do naufrágio. Na primeira e segunda classe criados e camareiros instalaram os passageiros, colocando vasos de flores nas lareiras, transportando as malas e ajudando na divisão das suites. À noite o Titanic chega ao porto de Cherbourg, na França, onde embarcam muitos passageiros ricos e famosos. Os passageiros de Cherbourg que viajavam em primeira e segunda classe receberam o mesmo tratamento dos passageiros que embarcaram essa manhã. Entraram na sala de recepção, foram encaminhados para os elevadores para depois serem encaminhados para as suites, isto aconteceu durante o primeiro jantar no Titanic. Na manhã seguinte o Titanic estava no cais de Quenstown, Irlanda, para receber a última parcela de passageiros. Depois, o Titanic estava pronto para navegar para o oceano.

Uma vez no oceano, o Titanic envolveu-se em festas e bailes, alegria e diversão. O luxo, conforto e experiência da tripulação tornava a viagem um sonho tornado realidade. A White Star Line escolheu, para comandar o Titanic na sua viagem inaugural, o capitão Edward Smith, experiente e prestigiado capitão que já havia comandado vários navios de luxo. Aceitou comandar o Titanic porque pretendia fechar a sua carreira com chave de ouro. O navio progredia bem e com um pouco de velocidade extra, ganharia fama de ser um navio rápido. Era isso que Bruce Ismay queria, mais publicidade para o seu super navio e para isso, ordenou ao capitão para aumentar a velocidade. No dia 14, o Titanic recebeu 12 avisos de gelo e à tarde a temperatura desceu bastante.

A noite, um nevoeiro intenso cobria o mar, que calmo como um lago, era iluminado pelas luzes do Titanic. Na sala de jantar, os passageiros estavam comemorando um jantar de gala, que oferecido pelos Widner, um casal milionário, honrava o capitão Smith. Na sala de telégrafo, o operador estava enviando mensagens para Terra Nova quando o Californian, um cargueiro não muito longe dali, pedia auxilio e dizia que havia blocos de gelo enormes a frente do navio. O operador, furioso, pediu-lhe que parasse pois estava ocupado “enviando mensagens para Cape Race”. A uma hora de distância, estava mesmo a frente do Titanic o maior inimigo dos marinheiros: o implacável e solitário iceberg.

O naufrágio

A Colisão

Primeira página do The New York Herald sobre o acidente

Primeira página do The New York Herald sobre o acidente

Ao anoitecer de 14 de Abril, o Comandante Smith mandou reforçar a vigia no mastro de proa (frente do navio), e fornecer binóculos. Esses equipamentos não foram encontrados e os vigias tiveram que fazer o seu trabalho apenas com a sua visão. O Comandante Smith retirou-se para os seus aposentos e deixou no comando na ponte, o seu imediato, o Primeiro Oficial William Murdoch. A noite estava fria e calma, sem ondulação e sem vento. Somente a luz das estrelas e do Titanic iluminavam a escuridão. Às 22h30, a temperatura da água do mar era gélida, cerca de 0,5º abaixo de zero, o suficiente para matar por hipotermia uma pessoa em apenas vinte minutos.

Às 23h40, um dos vigias do mastro, Frederick Fleet, avistou uma sombra mais escura que o mar à frente. A imensa sombra cresceu rapidamente e revelou ser um imenso iceberg na direcção do navio. Imediatamente o pânico deu lugar aos reflexos e o vigia tocou o sino de alerta do mastro três vezes e ergueu o comunicador para falar com a Ponte de Comando. Preciosos segundos se perderam até que o comunicador foi atendido pelo Sexto Oficial Paul Moody onde Fleet gritou “Iceberg logo à frente”. O Primeiro Oficial que ouvira e vira a imensa massa de gelo na direcção do navio, entrou na ponte de comando. Gritou, ordenando ao timoneiro “tudo a estibordo”, e à casa de máquinas, “máquinas a ré toda a força”. Na ponte de comando e no mastro de proa, os tripulantes observaram inertes o imenso iceberg vindo em rumo de colisão.

Na casa das máquinas, a correria foi grande. O vapor que estava a ser enviado para os motores tinha de ser fechado, a fim de parar os pistões. Nas salas de caldeiras, os carvoeiros tiveram que parar de alimentar as fornalhas e abrir os abafadores das caldeiras. Quando os enormes pistões estavam quase parados, uma alavanca na base dos motores fora accionada para reverter os giros das hélices centrais, e então as válvulas tiveram que ser novamente accionadas para libertar o vapor para entrar nos motores que começaram a girar no sentido inverso. A hélice central assim que fora accionado o reverso dos motores parou de funcionar, pois este não era accionado pelos motores do navio, mas por uma turbina que era alimentada pela sobra do vapor dos motores.

A proa do navio começa a deslocar-se do Iceberg, e 47 segundos após se ter visto o Iceberg, não se consegue evitar a colisão. Esta ocorre às 23h40, na Latitude 41º 46´N e Longitude 50º 14´W. Arestas do Iceberg colidem com o casco do navio, fazendo com que se soltem os rebites entre as placas de aço, resultando em pequenas aberturas no casco, tendo sido afectados mais de noventa metros de casco deixando abertos os 5 compartimentos estanques. Apenas 20 minutos depois, o convés já tinha começado a inclinar-se.

Mapa do Local de afundamento do Titanic

O vigia Fleet baixa-se no ninho da gávea do mastro de proa e sente o navio tremer e pedaços de gelo são arremessados ao convés da proa. O navio todo treme e na ponte de comando o oficial Murdoch acciona imediatamente o encerramento das portas estanques. Nos porões de carga do navio, a água jorra com imensa força. Seguiu-se então um estrondo e a água do mar rompeu por toda a lateral da sala de caldeiras número seis. As primeiras vítimas foram cinco operários que lutavam para manter seguras as correspondências na sala de correios inundada logo após a colisão. Morreram todos afogados tentando salvar as cartas que rumavam para a América a bordo do navio.

Com o abanão provocado pela colisão, muitos passageiros acordaram. O Comandante Smith dirigiu-se imediatamente para a ponte de comando e foi informado do ocorrido. Ordenou imediatamente a paragem total das máquinas. Com a paragem das máquinas, um barulho ensurdecedor é ouvido na área externa do navio, devido à grande quantidade de vapor expelido.

O Comandante Smith chamou o Engenheiro-chefe, Thomas Andrews, e solicitou um exame das avarias. Após alguns minutos, Andrews selou o destino do Titanic dizendo: “O navio vai afundar, temos menos de duas horas para evacua-lo”. Bruce Ismay, Presidente da White Star Line e o Comandante Smith mostraram-se incrédulos com o relato. “O Titanic não pode afundar” – menciona Ismay – “é impossível ele afundar”. Haviam sido atingidos 5 compartimentos estanques. Com quatro compartimentos, o Titanic ainda conseguiria flutuar, mas o peso de cinco compartimentos cheios de água faziam a proa afundar e o navio perderia o seu ponto de equilíbrio. A água do sexto compartimento passaria para o sétimo compartimento, depois para o oitavo compartimento, e assim por diante.

Eventos após a colisão

Ilustração do afundamento do Titanic por Willy Stöwer

Ilustração do afundamento do Titanic por Willy Stöwer

Por volta das 0h00 do dia 15 de Abril, o Comandante Smith dirige-se à cabine de telégrafos e solicita para que o operador do turno envie a posição do navio e um pedido de ajuda. “SOS. Abalroamos um Iceberg. Afundamento rápido. Venham ajudar-nos”. Foi a primeira vez que o sinal internacional de SOS por rádio , foi utilizado num acidente, pois o primeiro navio a enviar um SOS foi o Arapahoe em 1909 quando se encontrava perdido. O navio de passageiros Carpathia, da “Cunard Line“, estava a quatro horas de distância do Titanic. Foi o primeiro a acorrer ao local. O rádio operador do Carpathia antes de ir dormir, efectuou uma última verificação às comunicações e captou a mensagem do Titanic. Próximo ao Titanic, havia um navio que era visível, possivelmente o Californian. O seu telegrafista não recebeu os pedidos de ajuda, pois acredita-se que estava a dormir. Não era comum manter telegrafistas a trabalhar durante a noite. Após o desastre do Titanic isso tornou-se obrigatório.

Às 0h05, o Comandante Smith reuniu os oficiais e informou-os do ocorrido. Solicitou que os passageiros fossem acordados e que se dirigissem ao convés onde se encontravam os botes salva-vidas para serem evacuados. Sabiam que o número de botes era suficiente para apenas pouco mais da metade das pessoas a bordo, mas mesmo assim pediu para não haver pânico. Os empregados começaram a passar de cabine em cabine na primeira e segunda classes, acordando os passageiros, solicitando para colocarem os coletes salva-vidas e para que se dirigissem para o convés dos botes imediatamente. Enquanto isso, os passageiros da terceira classe permaneciam reunidos e trancados no grande salão da terceira classe junto à popa (parte de trás do navio). Muitos passageiros revoltaram-se, e alguns aventuraram-se pelos labirintos de corredores no interior do navio para tentar encontrar outra saída. Alguns conseguiram escapar com vida, mas muitos deles acabaram sepultados dentro do Titanic. A evacuação havia sido feita de acordo com as classes sociais a que os passageiros pertenciam, valor até então aceitável.

Às 0h31, os botes começaram a ser preenchidos com “mulheres e crianças primeiro”. Os primeiros botes foram lançados sem ter a lotação máxima permitida. Alguns sobreviventes relataram que a sensação ao caminhar no convés de botes era como a de estar descendo um monte.

Como o navio que estava próximo não respondia, nem aos sinais do telégrafo, nem aos sinais da lanterna, às 0h45, o Capitão Smith manda que fossem disparados os foguetes de sinalização. É arriado o primeiro bote salva-vidas n.º 7. A fim de evitar o pânico, o capitão solicitou que a orquestra de bordo viesse tocar junto ao convés dos botes para acalmar os passageiros. A tradição diz que a banda foi para o fundo a tocar “Nearer My God to Thee”. Segundo o testemunho do segundo operador de rádio, estava a tocar “Autumn”, um hino episcopal.

Comparação do tamanho do Titanic aos de uma pessoa, um carro, um ônibus e um Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).

Enquanto que nos primeiros botes tinha que se implorar para que as pessoas entrassem, fazendo muitos deles descer praticamente vazios, nos últimos, o tumulto era bem visível. Relatam-se tiros para o alto para conter os mais afoitos. Faltando pouco mais de dois botes para deixar o navio, os passageiros da terceira classe são liberados. Restavam apenas esses dois botes e os dois desmontáveis que ficavam junto à base da primeira chaminé. A água gélida já invadia os convés, quando os botes desmontáveis conseguiram ser lançados.

Às 2h05, é arriado o último bote salva-vidas, o desmontável “D”. Às 2h10, é enviado o último sinal pelos telegrafistas. O Capitão Smith ordena “cada um por si” e não é mais visto por ninguém. Já com a proa mergulhada no mar e a água a atingir o convés de botes, o pânico é geral. Heroicamente, os operários da sala de eletricidade resistem até ao final para manter as luzes enquanto podem. Às 2h18, as luzes do navio falham.

A primeira chaminé, não aguentando mais a pressão exercida sobre ela, tomba na água, vítimando dezenas de pessoas nos convés e na água, inclusive, John Jacob Astor IV, homem mais rico do navio. O mesmo acontece com a segunda chaminé. A água gélida avança rapidamente, arrasando tudo o que há pela frente. Muitos são sugados pelas janelas para dentro do navio pela força das águas. A popa do Titanic sobe, mostrando suas imponentes hélices de bronze. O navio parte-se em dois e caem as duas chaminés que restavam. Enquanto a proa submerge, a mesma arrasta a popa, deixando-a na vertical e, segundos depois e totalmente submersa, desprende-se e começa a afundar. Depois a popa flutua pois dois minutos e também começa a afundar. Às 2h20 o navio mergulha a pique pelas profundezas do oceano.

Categoria Resgatados Mortos
Mulheres e crianças Homens Total
primeira classe 98% 31% 199 130
segunda classe 87% 16% 119 166
terceira classe 47% 14% 174 536
Totais 22% 685 214

 Resgate dos sobreviventes

Dos botes, os passageiros assistem às sombras do navio afundado para sempre no meio de milhares de gritos de pavor e pânico. Mais de 1.500 pessoas estavam agora lançadas à água congelante. Após a popa desaparecer, alguns segundos de silêncio são seguidos por uma fina névoa branca acinzentada sobre o local do naufrágio. Esta névoa foi provocada pela fuligem do carvão e pelo vapor que ainda havia no interior do navio. O silêncio que parecia imenso deu lugar a uma infinita gritaria por pedidos de socorro. Os que não tiveram a sorte de morrer durante o naufrágio agora lutavam para se manter vivos nas águas, tentando agarrar qualquer coisa que boiasse. Aos passageiros dos botes não restava nada a fazer a não ser esperar passivamente por socorro. Mas um bote não se limitou esperar. O bote comandado pelo Quinto Oficial Lowe aproximou-se de outro, transferiu os seus passageiros e retornou ao local do naufrágio para recolher alguns possíveis sobreviventes. Praticamente todos já haviam morrido de hipotermia. Apenas 6 pessoas foram resgatadas ainda com vida.

Bote salva-vidas cheio de sobreviventes

Bote salva-vidas cheio de sobreviventes

As 4h10, de 15 de Abril de 1912, o navio Carpathia resgata o primeiro bote salva-vidas. No local, apenas duas dezenas de botes flutuando dispersos entre os destroços. Assim que os primeiros raios de Sol surgiram no horizonte, outros navios começaram a chegar na área do naufrágio. Entre eles, o Californian. Mas nada mais havia a fazer a não ser resgatar os corpos que boiavam. A recolha dos último salva-vidas aconteceu às 8h30. O Carpathia ruma a Nova Iorque com os sobreviventes pelas 8h50. Das 2.223 pessoas a bordo, apenas 706 foram resgatadas. Mais de 1.500 morreram. Os tripulantes sobreviventes receberam cuidados no American Seamen’s Friend Society Sailors’ Home and Institute (Lar e Instituto da Sociedade Americana dos Amigos dos Marinheiros), sede da Sociedade Americana dos Amigos dos Marinheiros.

Depois disso, o nome Titanic, ficou o símbolo da maior tragédia marítima da História. O Capitão Smith e o engenheiro-chefe Thomas Andrews permaneceram no navio. No entanto, Bruce Ismay, Presidente da White Star Line, embarcou num dos últimos botes que deixou o navio. A sociedade da época nunca o perdoaria por esse feito.

Conclusões dos relatórios de inquérito

Para a Comissão de Inquérito dos EUA foram 1.517 vítimas, para a Câmara de Comércio Britânica foram 1.503 vítimas, enquanto que para a Comissão de Inquérito Britânica foram 1.490 vítimas. O número da Câmara de Comércio Britânica parece o mais convincente, descontado o fogueiro Joseph Coffy e o cozinheiro Will Briths Jr., que desertaram em Queenstown. Dois inquéritos posteriores viriam a julgar os culpados pela tragédia: um inglês e quatro americanos. Com a perda do Titanic e das centenas de pessoas dessa tragédia, as leis que regiam a construção de transatlânticos foram alteradas. Todos os navios construídos depois do Titanic teriam que ter botes salva vidas para todos a bordo. Os telegrafistas teriam que ficar a trabalhar durante a noite. A Patrulha Internacional do Gelo foi criada para monitorizar, alertar e até destruir Icebergs que viessem a oferecer riscos à navegação.

Proa do Titanic no fundo do mar

Proa do Titanic no fundo do mar

Localização dos destroços

Somente nos finais de 1970 e inicio de 1980, um empresário americano patrocinou diversas expedições para tentar localizar o navio. Nenhuma delas teve êxito. Somente em 1985, numa expedição oceanográfica franco-americana, o Dr. Robert Ballard descobriu os destroços do Titanic submersos a 3.800 metros (ou 12.600 pés) de profundidade, a 153 km ao Sul dos Grandes Bancos de Newfoundland. A notícia correu o mundo. Ele passou a ser conhecido como “O Descobridor do Titanic”. Retornou ao local em 1986, com uma equipe de filmagem da “National Geographic Society” para fazer as primeiras filmagens do transatlântico após 73 anos. Desde então, a empresa “RMS Titanic, Inc” obteve os direitos de realizar operações de salvamento no local e recuperou mais de 6 mil artefatos do navio. Diversas empresas de turismo e produtoras de filmes também visitaram o local em veículos submergíveis tripulados. O Dr. Ballard retornou ao Titanic em 2004, para averiguar os danos que o navio sofreu desde o seu descobrimento (19852004). Constatou a aceleração da deterioração da estrutura do navio. Concluiu ainda que os danos provocados pelas inúmeras expedições e visitas ao local, só serviram para danificar o sítio arqueológico do Titanic.


 Curiosidades

  • 14 anos antes de o Titanic navegar, foi escrito um livro chamado Futility (Futilidade) de Morgan Robertson que descrevia um barco chamado Titan que seria inafundável; Cheio de gente rica e despreocupada, porém se choca com um iceberg e afunda numa noite fria de abril, tendo as mesmas características e capacidade de passageiros que o Titanic. É considerado que o autor usou o livro como uma forma de prever o desastre, para outros é uma assombrosa coincidência.
  • Um tripulante do Titanic, sonhou, dias antes da viagem inaugural, com gatos que brigavam em uma ventania, e logo que acordou, decidiu não embarcar;
  • Se o Titanic tivesse se chocado de frente com o iceberg, somente 1 compartimento se inundaria, permitindo assim continuar a navegar normalmente.
  • Se o iceberg fosse visto 30s antes, o Titanic poderia ter evitado a colisão.
  • Se o 1º Oficial Murdoch não tivesse dado a ordem de reversão dos motores, a velocidade com a qual o navio estava, seria fácil fazer a volta, com o risco de colisão quase mínimo.
  • Se os vigias noturnos tivessem binóculos, a tragédia seria evitada, pois o iceberg seria visto de longe;
  • Sucessivas falhas, falta de sorte e de inteligência causaram o que foi chamado de efeito Titanic, na qual precisou-se de uma coisa dar errado para que a catástrofe acontecesse.
  • Foi constatado que em aproximadamente 50 anos, os destroços do Titanic, há aproximadamente 4000 metros da superfície, venham a desaparecer completamente.
  • No dia 10 de Abril de 1912 o Titanic partiu com 322 passageiros na 1ª classe, 275 passageiros na 2ª classe, 712 passageiros na 3ª classe e 898 pessoas da tripulação.

Destes passageiros:

1ªclasse – homens: 54 viveram, 119 morreram; Mulheres e crianças; 145 viveram, 10 mulheres e 1 criança morreram.

2ªclasse – homens: 15 viveram, 142 morreram; mulheres e crianças: 104 viveram, 24 morreram.

3ªclasse – homens – 69 viveram, 417 morreram; mulheres e crianças: 105 viveram, 119 morreram.

A tripulação – homens: 194 viveram, 682 morreram; mulheres: 20 viveram, 3 morreram

  • Durante a noite, o Capitão Smith e o Quarto Oficial Boxhall conseguiam ver luzes de um barco que estava apenas a 16 quilómetros – 6 a 10 milhas do barco. Então, à 00:45, foram mandados foguetes de cinco em cinco minutos. A princípio, o barco parecia aproximar-se. Mas depois as luzes desapareceram. As esperanças de ajuda desapareceram com as luzes.

Por que estaria o navio tão perto? Por que é que não ajudou?

Algumas pessoas pensam que seria o Californian. De facto, a tripulação do Californian viu luzes no céu e luzes de um navio. Mas o navio parecia pequeno para eles. Quando tentaram mandar-lhe uma mensagem, não houve resposta.

Será que os oficiais do Titanic viram um navio diferente? Cada vez mais pessoas pensam que seria um barco norueguês. Por que é que não ajudou? Se calhar estavam, a infringir as leis por estar naquela área.

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